A lei de Murphy no trabalho


Quando algo dá errado, comumente podemos associar com má sorte. Algumas vezes, nos lembramos de um tal de “Murphy” e atribuímos o erro à famigerada “lei de Murphy”.

Parece óbvio, mas será que as coisas que acontecem fora do planejado, no momento errado, no lugar errado não poderiam ser previstas?

A lei de Murphy, além de ser lembrada em nossa vida pessoal, pode ser utilizada e aplicada em nossa vida profissional, observada com seriedade.

Um outro dia, em meu trabalho, havia um prazo para entregar uma atividade rotineira, outrora realizada muito manualmente, com muitas possibilidades de erro, sendo uma atividade muito sensível: apuração de premiação de mais de 500 colaboradores presentes na equipe de vendas da empresa.

O prazo era conhecido, o tempo apertado em função das férias e a sensibilidade desta espécie de tarefa, idem. Muito recentemente, havia desenvolvido um sistema interno no Microsoft Access que tinha a capacidade de processar os dados de vendas realizadas e metas de venda, validar a base de colaboradores, aplicar as regras de cálculo e gerar os relatórios. O sistema interfaceava com outra base em SQL Server que era justamente responsável por processar mais de 30 milhões de registros, agregar, somar e gerar bases menores sobre as quais realizaria os devidos cálculos para remuneração variável.

Em outros momentos, já havíamos sofrido problemas de tempo excessivo para processamento desses dados, devido à concorrência (outros usuários consumindo a capacidade de processamento do servidor), problemas na programação da base e outros fatores. Este tempo excessivo poderia comprometer a entrega do trabalho dentro do prazo apertado.

Apesar destas considerações e baseado nas várias vezes em que tudo correu bem, não me preocupei muito. O que ocorreu é que justamente tudo isso aconteceu: O servidor demorou mais tempo que o esperado para retornar os resultados e foi um sufoco criar alternativas imediatas para conseguir atender o prazo de entrega. A culpa foi jogada na lei de Murphy, mas tudo poderia ter sido evitado se houvesse melhor planejamento dos riscos envolvidos.

Um pouco de história

De acordo com o livro A History  of Murphy’s Law do autor Nick T. Spark, existem várias versões para a história do surgimento da lei de Murphy e, uma delas, remete a Edward Murphy, um engenheiro aeroespacial que trabalhava, na década de 50, junto com o Dr. John Stapp, coronel da Força Área Americana e cirurgião militar. O Dr. Stapp liderava um projeto que tinha como objetivo testar o efeito da força-G durante uma rápida desaceleração e, durante estes testes, os sensores do sistema construído para realizá-los retornavam o valor 0 que demonstrava que, obviamente, não haviam sido instalados corretamente, com os fios plugados do lado contrário.

Murphy ficou irritado e culpou o assistente dizendo: “Se existe alguma forma de esse cara cometer um erro, ele irá!”. A frase de Murphy repercutiu entre a equipe sendo condensada para “Se algo pode acontecer, vai acontecer!” e foi atribuída à ele, tomando o seu próprio nome.

Interpretações da lei

A lei de Murphy diz que se algo pode dar errado, ele vai dar errado. Quer dizer que todas as coisas que podem ocorrer fora do planejado irão, de fato, acontecer em algum momento, pode ser hoje, amanhã, em um mês ou anos.

Quando digo ‘fora do planejado’ quer dizer que não nos planejamos suficientemente bem para prever, inclusive, os erros e falhas que podem acontecer, seja em um trabalho individual ou compartilhado por mais pessoas. Precisamos criar um plano B, minimamente, para poder lidar com os “e se?”.

E se faltar este recurso? E se não der tempo? Se ocorrer um evento “inesperado”?

Em casa, em ambiente público, em sua empresa pode acontecer qualquer coisa que pode comprometer seus planos, sejam eles pequenos ou não, importantes ou não, tudo isso pode ser mapeado, com um pouco de esforço, para garantir o sucesso das suas atividades.

A lei pode parecer um tanto óbvia e, muitas das vezes, engraçada pelas suas diversas utilizações em nosso dia-a-dia. Interessante é extrair dela seus melhores usos para beneficiar suas rotinas profissionais.

O Plano B

O plano B é uma designação conhecida para um plano de contingência que é um caminho alternativo, diferente do caminho convencional, para se chegar no mesmo objetivo. Deve levar em consideração todos os fatores que afetam direta ou indiretamente seu projeto ou atividade, extraindo o “melhor” do seu pessimismo.

Ser mais pessimista pode ser trabalhoso, afinal, desejamos é que tudo corra bem e dê certo. Queremos relaxar e colher os frutos de um trabalho concluído com suas devidas láureas. Perigoso é confiar demais no seu trabalho, na sua equipe, no seus recursos e baixar a guarda para coisas que podem acontecer: sabemos que pode acontecer, mas não damos a devida importância.

Lembre-se que se algo pode dar errado, ele irá. Para desenvolver um plano B, estabelecemos uma sugestão dos passos a seguir:

Descrever objetivos do projeto ou da atividade

Ter um objetivo para seu projeto, se já não definido para o planejamento normal, é essencial para seu sucesso. Portanto, conhecer onde queremos chegar é importante, inclusive, para determinar as falhas que podem ocorrer e quais caminhos alternativos podemos tomar sem comprometer a meta em si ou os prazos dela.

Detalhar sub tarefas

Você já deve saber quais os passos para realizar determinada tarefa ou caminhar com determinado projeto. Mas, além disso, identifique e detalhe ao máximo as sub tarefas abaixo das tarefas principais. Descrevê-las ajudará a trazer novas visões e percepções sobre coisas que podem atrapalhá-las e comprometer o todo. Para as mais importantes, arranje um recurso sobressalente, caso algo dê errado.

Elencar os recursos utilizados

Todos os recursos empregados na conclusão do projeto precisam ser discriminados claramente para se definir e endereçar a criticidade da sua tarefa, seja mão de obra, equipamentos, dinheiro etc. Que pessoas estão executando atividades que são importantíssimas para o projeto? Que materiais, equipamentos ou outro recurso que é crítico para o sucesso da tarefa? O treinamento dos colaboradores é suficiente para evitar 100% dos erros?

Brainstorming dos incidentes

Agora é hora de sentar com mais pessoas e jogar no papel todos incidentes que têm probabilidade de ocorrer, tarefa por tarefa, recurso por recurso, vamos responder estas perguntas:

  1. O que pode acontecer na tarefa ‘x’ ou no recurso ‘y’?
  2. Quando pode acontecer? Hoje ou no futuro?
  3. Por que isso pode ocorrer? (Para entender e trabalhar as suas causas)
  4. Qual a probabilidade deste problema acontecer? Alta, média, baixa?

As respostas para estas perguntas trarão luz e previsão para os problemas que podem ocorrer pois, quando as descrevemos entramos, em profundidade, em contato com a essência das coisas e todos os seus detalhes que vão ajudar a preencher as demais respostas.

Se a falha pode acontecer futuramente e a tarefa for urgente, podemos desconsiderá-la momentaneamente, mas deverá ser tratada em breve. Caso contrário, corra para eliminar os riscos dela.

Os porquês vão auxiliar a depurar as causas daquele possível erro e é através destas causas que podemos eliminar o problema, buscando soluções para o caso. Uma das soluções pode ser tomar outro caminho. Por exemplo, se um fornecedor de material pode não nos entregar o produto no tempo hábil, então, escolha outra fonte, outra empresa como resguardo.

A probabilidade é uma avaliação relativa e por isso é importante a participação de mais pessoas neste brainstorming, trazendo suas percepções individuais de importância e de probabilidade de ocorrência. Avalie o passado e o que aconteceu para dar seu peso: Já aconteceu antes? Se sim, quantas vezes?

Conclusões

A história do Murphy e da sua lei não implica que devamos viver incessantemente preocupados com  ‘tudo de errado que pode acontecer’. Gerenciar os riscos é uma atividade que convém utilizar-se de métodos para avaliar a importância e probabilidade de que algo pode dar errado. Foque o plano B, então, nestes riscos maiores e deixe os menores de lado (ao menos, por enquanto).

Seja realista: algumas doses de pessimismo para uma pessoa muito confiante ajuda a garantir seu sucesso, e vice-versa.

Então, antes de culpar a lei de Murphy, faça um anexo no seu plano, desenhe as contingências, calcule os riscos e caminhe sem medo!

Referências: Wikipedia – “Murphy’s law”

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