Alta do Dólar já Começa a Ter Reflexos nos Índices de Preços


O efeito do câmbio começou a aparecer na inflação. Puxado pelos preços no atacado, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) usado para reajustar os aluguéis, mais que triplicou de fevereiro para março.

Índice fechou o mês de março a 0,98%, segundo a FGV

O indicador, apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), atingiu 0,98% este mês, depois de ter aumentado 0,27% em fevereiro,

A maior influência para a alta do indicador veio dos preços no atacado, que foram pressionados pela subida do dólar e pela entressafra.

“O câmbio finalmente começou a aparecer. O efeito ainda é lento, mas já há indícios que bateu às portas do Índice de Preços ao Produtor (atacado) e de certa forma no Índice de Preços ao Consumidor (varejo), mas o impacto é bem inicial”, avaliou André Braz, economista da FGV e um dos responsáveis pelo IGP.

Neste mês, o IPA, que responde por 60% do IGP, deu um salto e comandou a aceleração do indicador. Em fevereiro, o IPA tinha registrado a deflação de 0,09% e neste mês fechou com um avanço de 0,92%. O destaque foi a elevação dos preços das matérias-primas brutas, que registram aumento de 2,02% este mês, depois de terem caído 1,32% em fevereiro.

“Metade da alta das matérias-primas brutas ocorreu por causa da soja”, disse Braz. A soja em grão no atacado subiu 8,30% após uma deflação de 6,39% em fevereiro. Parte da alta da soja ocorreu por causa do câmbio e outra parte em razão de revisões na perspectiva da safra.

O economista acrescentou que aves, cana, milho e leite também contribuíram para aceleração do indicador, mas neste caso o impacto correu por questões sazonais. Já o preço do minério de ferro, que ficou 1,19% mais caro neste mês após deflação de 3,52% em fevereiro, é exemplo mais emblemático do efeito do câmbio na inflação.

Tarifas

Nos preços ao consumidor o impacto da alta do dólar ainda é pontual, aparece no pão francês (1,13%), óleo de soja (1,32%) e eletrônicos

(0,52%), mas deve, segundo Braz, se espalhar nos próximos meses. Em março, o IPC subiu 1,42% ante alta de 1,14% em fevereiro.

Os preços administrados responderam majoritariamente pela alta do IPC este mês. Mas, segundo Braz, a influência do câmbio deve ficar mais clara nos preços ao consumidor daqui para frente.

“A atividade está mais fraca, mas ainda há consumidores com renda e mercado de trabalho com taxa de desemprego baixa”, argumentou, ressaltando que existe espaço para repasses.

Segundo ele, o efeito da demanda na redução da inflação só deve aparecer em 2016. “Existe uma inércia neste ano tanto para absorver o aumento do câmbio como o das tarifas”, disse.

O terceiro componente do IGP, o Índice Nacional de Construção Civil, que mede os custos do setor imobiliário, desacelerou este mês. A alta foi de 0,36%, após elevação de 0,50% em fevereiro, influenciado pelos materiais de construção. Em 12 meses até março, o IGP-M subiu de 3,16%.

Veja infográfico sobre os reflexos da alta do dólar sobre a inflação:

Infográfico: Dólar e Inflação

Da Agência Estado, Correio Popular – 31/03/2015

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