Desenvolvendo foco e concentração com filosofias orientais 2 comentários


Há algum tempo atrás, conheci um pouco da filosofia budista em uma publicação focada na psicologia budista (“Transformações na Consciência” de Thich Nhat Hanh) e li o livro “A Arte da Felicidade” do Dalai Lama que contava um pouco das benfeitorias mentais que estas condutas podem nos trazer.

Não é minha intenção falar sobre religião, mas sim compartilhar um pouco destes conceitos que, se praticados, podem nos trazer um benefício maior não apenas no trabalho, mas na vida pessoal!

O tema central aqui é a capacidade que podemos desenvolver para obter foco e concentração habitualmente necessárias para exercer nossas atividades do dia a dia e para lidar com os outros que são peças fundamentais para nosso sucesso profissional e pessoal.

Independentemente das religiões e crenças de cada um, havemos de reconhecer que os ensinamentos e eloquência das filosofias do lado oriental deste planeta são ricas em métodos e práticas inexistentes ou de difícil interpretação nas religiões ocidentais.

Os hábitos da meditação, concentração e foco promovem um bem estar íntegro e capacidade maior de se cumprir metas ao realizar tarefas de forma aderente. Não excluo as habilidades de cá, mas vejo que há algo de muito bom que pode ser aprendido do lado de lá.

A visão do eu, concentração e meditação

O eu

Nas leituras que pude ter contato há sempre uma explicação extensiva e intensiva sobre a questão do eu ou ‘ego’. O eu representa sempre nossa visão pessoal de como somos e como as coisas são. É uma percepção restrita por que existem os outros, nossa família, nossos colegas de trabalho, nossos amigos que têm opiniões e percepções diferentes das nossas.

Segundo a filosofia budista, tudo está permeado em interdependência, ou seja, tudo depende de tudo. Não existe visão só do eu se não houver visão dos outros, não há bem sem existir mal, não há luz se não houver algo pra iluminar: o escuro.

Desta forma, não pode haver um profissional bom sem que existam profissionais ruins. Nem gestores excelentes sem chefes medíocres.

A história toda aqui é que, na realidade, não existe um eu: existe um todo, uma família, uma equipe, uma humanidade. Tendo consciência disso podemos estar mais abertos para auxiliar, dar e receber feedback, construir coisas em conjunto por um objetivo maior, seja da empresa, seja da vida pessoal. Conhecendo a interdependência, podemos ser mais resilientes, aceitar melhor as dificuldades do dia a dia, por que entenderemos que os defeitos dos outros, podem ser os nossos também.

A concentração

A concentração é outro ensinamento importante destas filosofias, denominado como a própria consciência das coisas. É por que para nos concentrarmos em algo precisamos ter consciência dos eventos que estão a nossa volta, precisamos ter consciência, propriamente, do que estamos fazendo. Atualmente, sofremos com várias distrações no dia a dia, sem poder focar em algo, distribuindo nosso potencial em várias tarefas simultâneas. Levantamos, nos arrumamos e saímos de casa, executando as coisas de forma automática sem realmente ter consciência de cada minuto, de cada momento. Não é a toa que nos assustamos ao olhar no relógio e exclamar: “Como a hora passou!”.

Almoçamos rapidamente, mal sentimos o sabor da comida, ficamos no celular e conversamos com as pessoas ao mesmo tempo, sem notar seus sentimentos, seus gestos ou emoções reais.

Não vivemos o momento. E não ter consciência de cada momento que se passa nos leva a uma falta de concentração nas tarefas executadas: Algo que esquecemos depois de sair de casa, algum compromisso que esquecemos de comparecer, ou um erro qualquer em uma atividade qualquer do nosso dia a dia. Ao beber um copo d’água, lembre-se que está bebendo um copo d’água e pense naquele momento, no que a água te traz de bom, como mata sua sede, como está gelada. Ao fumar, lembre-se que está fumando, sinta a fumaça entrando na sua garganta e nos seus pulmões, pense em como ele pode te fazer mal e talvez você até pare de fumar!

Concentrar-se em cada momento é um exercício que começa nas menores e, aparentemente, menos significantes atividades. Em seu trabalho, cada tarefa precisa de concentração para sua execução ou antes de mesma de aceitá-la: pense em como ela contribui para os objetivos da empresa e para seus objetivos pessoais, relembre validações importantes a realizar no seu resultado, veja e reforce a importância das pessoas que, mutuamente, colaboram para ela e tenha consciência de cada ação que toma (se é boa ou má) para o objetivo e entrega final, desde uma tecla que aperta no teclado, até um raciocínio mais complicado de um cálculo.

É claro que praticar tudo isso requer extenso treinamento e um esforço razoavelmente grande para atingir sua plenitude. No Budismo, eles chamam de atingir o “Nirvana”, um estado pleno de consciência das coisas.

A meditação

Para tal exercício, existe a meditação que é um momento em que devemos não pensar em nada, limpar nossa mente. É bastante difícil, sim! Mas você pode tentar: reserve-se num quarto silencioso, feche os olhos, respire e inspire profundamente e deixe os pensamentos virem. Quando eles chegarem, deixe-os ir também. Aos poucos, irá se controlando e concentrando. Por exercitar essa “limpeza da mente”, você automaticamente irá exercitar seu potencial de concentração, aprendendo a não pensar em mais nada a não ser o objeto do seu foco.

Existem várias formas de meditar e concentrar-se, sendo possível focar em um objeto, um som, uma luz de vela, sua respiração, uma imagem mental. Você pode sair em caminhada focando sua mente apenas em seus passos ou respiração. A corrida é uma forma de meditação, uma vez que você pode focar todo seu esforço mental naquela atividade, abstraindo-se dos demais devaneios.

Cada atividade no seu dia a dia pode se converter em uma exercício de meditação, se você puder não pensar em mais nada além dela. Quando seu chefe estiver falando, por exemplo, aprenda a esquecer dos telefones tocando, das pessoas falando ou do trabalho que você tem que entregar daqui 15 minutos e concentre-se na sua voz e na sua explicação.

Desenvolvendo nosso auto-controle, livramo-nos, portanto, dos pensamentos negativos que podem nos afligir como a ansiedade, medo, raiva, desconfiança e passamos a cultivar pensamentos mais positivos como calma, perseverança, segurança. Cultivar estes e outros sentimentos positivos – assim como eliminar os negativos – , vão potencializar sua capacidade de concentração, reduzir seus erros profissionais, facilitar aceitação e conclusão de desafios sem medo, bem como reforçar a confiança em seus colegas e chefe (e caso não confie, que possa tomar medidas de segurança com calma), permitir resiliência em momentos difíceis, entre outros vários benefícios!

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