Inovação é Questão de Sobrevivência



A gente escuta falar tanto de inovação, que inovação é a chave, que inovar é essencial, precisamos de colaboradores com perfil inovador... Na verdade, caros amigos, inovação é questão de simples sobrevivência!

Nasci nos anos 80 - 90 (teoricamente sou um millennial??), mas eu vivi a transição clara do analógico para o digital, vi a Internet florescer, o computador se tornar uma ferramenta necessária e hoje meus filhos sabem usar um tablet antes de aprender a amarrar os sapatos.

Eu tive que pesquisar na biblioteca e aprendi a pesquisar na internet, em 10 anos ou menos já se podia encontrar qualquer coisa lá! Os famosos "how-to" ainda são os assuntos mais pesquisados no Google.

E o que isso tem a ver com inovação? É que qualquer um pode aprender qualquer coisa sem precisar fazer uma faculdade ou um curso presencial. Novas ideias surgem e aterrisam com mais facilidade pois não precisam necessariamente de um plano de negócios e um banco investindo alta somas sob a condição de um retorno provado e comprovado. Vimos surgir termos como o crowdsourcing e o crowdfunding, que são formas de colaborar e levantar fundos para um projeto de forma aberta, sem direitos autorais, sem licenças, livre para uso.

Jef Staes, em seu livro My Organisation is a Jungle, fala sobre inovação com um prisma de urgência. Estamos na era 3D, não há mais como prever o longo prazo: novos concorrentes e novos produtos surgem em espaços de tempo cada vez menores e oferecem propostas inovadoras que muitas vezes representam o potencial fim do seu negócio.

Pra se ter uma ideia é só pensar nas locadoras de vídeo há 10 anos atrás e hoje, algumas poucas sobrevivem, mas no limite da margem de lucro (ou prejuízo).

Inovar é propor e executar algo totalmente novo, mudar a rota, reposicionar a marca, alterar o foco, enfim, fazer algo diferente! Simplesmente melhorar o que já se faz não é inovar: um programa de fidelidade que oferece descontos para o aluguel de filmes realmente não vai salvar o negócio da expansão do Netflix e de outras empresas de filmes em streaming...

Desta forma, precisamos mudar o modelo mental dentro das empresas, mudar de "vamos continuar fazendo o mesmo, mas melhor" para "vamos fazer algo novo".

Claro que existem barreiras culturais dentro das organizações: são os gestores criados no modelo 2D. Eles simplesmente não conseguem absorver essa onda de coisas novas que chegam e ignoram as opiniões e ideias diferentes, acreditam que seu poder é mantido pelo fato de eles saberem mais que seus subordinados. Em outras palavras, eles assassinam a inovação dentro da organização e, se ela não tomar uma atitude em relação a esse comportamento, fatalmente se verá sumindo do mapa do mercado.

A liderança 3D, pelo contrário, gera novas ideias e estimula o surgimento delas dentro de sua equipe. Ele não sabe mais que seus liderados, mas, sim, depende deles para obter sucesso e aprender mais. Por falar na equipe, esta é composta por pessoas apaixonadas pelo que fazem - mesmo que sem experiência ou sem diploma - por que sabe que quanto maior a paixão, maior será o aprendizado. E as fontes de aprendizado são várias!

Como fomentar a inovação dentro da sua organização? É necessário se aventurar para fora do ecossistema onde se vive, ou seja, conhecer outros mercados e trocar experiências. Se fechar dentro do seu bunker de informação, pode te proteger de alguma coisa, mas você não terá ideia do que está acontecendo lá fora e quando precisar sair pode ter uma desagradável surpresa quando ver que o mundo mudou!

O Surgimento do Macaco Vermelho

Imagine um macaco vermelho surgindo bem no meio da selva. É um animal diferente nunca antes visto naquele bioma. Instintivamente,  os outros macacos não entenderão aquela nova espécie, sentirão medo e insegurança e naturalmente tentarão eliminar aquele indivíduo diferente, estranho e desconhecido.

Quando algo novo surgir no centro da selva, as chances de sobrevivência são mínimas. Quando uma ideia nova surgir no centro da empresa, rodeada de gerentes e diretores 2D, ela dificilmente sairá do papel.

Agora imagine o surgimento desse macaco vermelho nas fronteiras da selva, onde ela se cruza e faz fronteira com outros tipos de biomas. A selva dá lugar à uma planície ao norte e pára às margens de um rio. Nestes locais, onde ocorre o intercâmbio entre diversas espécies, novas oportunidades e ideias surgem. É possível que apenas nem existam outros macacos, e os macacos vermelhos se perpetuarão, formarão alianças, criarão seguidores, se fortalecerão. Esses macacos vermelhos adaptando-se à alguma nova realidade na selva, estão mais aptos a sobreviver às mudanças que iminentemente devem aplacar aquela estrutura. Desta forma, a nova raça de macacos vermelhos irá tomar a selva, converter os macacos "velhos" em seguidores - e eventualmente até causar a eliminação destes.

Os macacos vermelhos representam novas ideias, a mudança dentro da organização. Este conceito foi idealizado e propagado por Jef Staes em seu livro "My Organisation is a Jungle" e em sua jornada por promover a mudança dentro das empresas. Algumas pessoas eventualmente trazem macacos vermelhos consigo, novas ideias, ansiosos por vê-las se transformarem em projetos concretos. Mas seus chefes, líderes 2D, rapidamente as descartam - receosos pela possibilidade de se tornar uma grande ideia, que não veio dele - e o macaco vermelho é exterminado. Ao contrário dos seus colegas 3D, o chefe 2D se importa apenas em fazer a mesma coisa, mas melhor. A novidade é imprevisível, muito arriscada, sem dados que assegurem seu sucesso: "A ideia é boa, mas vamos melhorar o que já existe hoje!"

Felizmente , existem os líderes 3D. Eles geram e acolhem o macaco vermelho com obstinação, motivados pela vontade de mudar e pela experiência de "da mesma forma, não podemos seguir." Eles são também os originadores de macacos vermelhos e a força motriz geradora de inovação nas empresas. Gerando seguidores e simpatizantes, vão fortalecendo a ideia e o macaco vermelho se torna algo real e concreto.

Informação é um elemento crítico

Como Jef Staes diz, ele inveja as gerações de hoje. A quantidade de informação disponível e de fácil acesso é gigantesca, e está ao alcance de todos (ou a grande maioria do planeta). O volume de dados que nos engole por várias perspectivas permite o acesso à informação e conhecimento em uma escala sem precedentes e as empresas precisam aprender a "respirar o conhecimento" como um elemento crítico para sua sobrevivência: assim como água, terra, fogo e ar, informação é o quinto elemento presente em nossas vidas atualmente.

Em paralelo, é necessário que encorajemos nossos jovens a aprender. O único investimento necessário é um computador e acesso à Internet, como aprender eles podem descobrir por si mesmos e é impressionante a capacidade das crianças em aprender coisas novas sozinhas ou com os outros. Estas crianças têm acesso a muita informação e esta é uma situação rara e única. No passado, pais, professores e trabalhadores sempre sabiam mais que os jovens. Era a pedra filosofal de seu poder.

"Fique quieto e escute... você é muito jovem para saber!" Esta mentalidade está ainda profundamente enraizada em nossa cultura e devemos nos livrar disso. Até então, todos pensamos que conhecimento é poder, mas não é mais assim tão simples. Gestores terão que lidar com jovens empregados que sabem mais e aprendem muito mais rapidamente que eles. O poder não será mais ditado pela expertise, mas pela visão, pelo entusiasmo e pela "mente aberta".

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